Maragogi, uma das cidades mais ricas do Estado de Alagoas, detém um orçamento anual de mais de 82 milhões de reais, fora os recursos próprios, e nunca mediu esforços para investir parte de tal montante em publicidade no intuito de demostrar competência a quem vem de fora. Outros seguimentos, porém, parece não receber a mesma atenção. A pequena cidade de 32 mil habitantes detém, além do charme e da elegância naturais, centenas de famílias no gueto que vivem abaixo da linha da pobreza, longe dos holofotes do poder público.
Sem politicas públicas ou qualquer tipo de infraestrutura voltada para as comunidades fragilizadas, o Sítio Maruim, no povoado de São Bento, cresce desordenadamente em paralelo aos manguezais. Lá, as pequenas casas de taipa servem tão somente de abrigo em vez de moradia digna. Nota-se, então, a vida atribulada dos moradores do Maruim. Vivendo o drama da crise pandêmica, a situação veio a piorar na última segunda feira (15), quando a chuva ininterrupta da madrugada acordou-os com a água à altura da cintura dentro das casas. Tal fenômeno deixou um saldo de 36 famílias desalojadas e sem condições de recuperar seus pequenos casebres.
São homens e mulheres de vida digna, mas que não tiveram oportunidades ao longo de suas vidas em um país onde a desigualdade social é mantida como troféu pelos péssimos administradores do dinheiro público. Em pleno século XXI somos obrigados a nos deparar com este tipo de situação, criada, querendo ou não, pela decadência política e covarde assoladora dos municípios brasileiros.






























